6 de set. de 2008

Soneto de Fidelidade



De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Vinicius de Moraes

5 de set. de 2008

"Janela da Alma"

Tantas impressões tive desse documentário, que mais é uma poesia, se quiseres uma crítica ao filme procure no google. Aqui só quero registrar o que percebi com o que vi...



Não ver é ficar sem espaço para sonhar.
Não ver desconcerta.
Não ver mata.
Não ver é mais que cegueira.
Não ver é estar morto para o mundo

(Ei ver é diferente, aqui pelo menos, de enxergar, pois tem gente que enxerga mais não vê)


Segundo Manoel de Barros, as coisas que vemos aparecem de dentro das pessoas, o olho apenas enxerga, e é dentro da pessoa que a imaginação vê o mundo. Mas há uma cegueira generalizada, as pessoas estão vendo com os olhos dos outros, então elas estão vendo o mundo do outro!!!! Temos que ver com os olhos da mente, não podemos ver pelo outro.

Sendo assim, penso em meu fazer como professora, como é deixar o aluno ver o mundo com sua mente, como é deixar de lado minhas impressões do mundo?
Acho que isso é impossível, afinal, sou formadora, educadora, tenho minha idéia de mundo.
Mas o que esse filme me fez pensar, foi que meu aluno precisa que eu o veja com meus próprios olhos, sem meus preconceitos. Preciso vê-lo como gente, como ser que também vê, (com a mente).

26 de ago. de 2008

Como me vejo...


“...não há ninguém que veja a verdade sem ser com os olhos, e os olhos são sempre os olhos de alguém.”

Gianni Vattimo

Fico me perguntando, como me vejo?

Será que já parei pra pensar em mim?

Será que já parei pra pensar em como me vejo?

Ah, devo ter feito isso algumas vezes...

Me vejo em situação,

em momentos de decisão,

me vejo quando preciso fazer algo que não consigo,

me vejo quando percebo minha capacidade, minhas vitórias.

Me vejo uma menina que busca o equilíbrio, não um equilíbrio constante, mas busco equilibrar-me pois sei que ele é passageiro, e que em outro momento irei me desequilibrar.

Me vejo muitas vezes ansiosa, querendo ser melhor do que sou hoje, querendo ser mais perfeita, ai me pego revendo meus pecados, meus erros, meus desesperos, minhas inseguranças, minha dúvidas........

E a única certeza que tenho é que sou menina, sou criatura, sou filha dEle, e Ele é perfeito.

Me vejo através dos meus valores, me vejo no reflexo dos olhos dos que me amam.

Me vejo sempre diferente do que quero ser, me vejo sendo algo que quero mudar, me vejo informe.

Mas as pessoas me vêem melhor do que eu me vejo.

Minha mãe vê a filha amada, estudiosa, guerreira, batalhadora, linda...

Meu namorado vê a mulher que ele quer casar.

Meus tios vêem a sobrinha que construiu uma história diferente da deles.

Meus amigos vêem a menina que diz a verdade.

Meus conhecidos vêem a menina simpática (às vezes).

Meus professores a menina que superou as dificuldades.

Meus alunos a professora que brinca mais exige.

Enfim, sou um misto de sonho e de realidade, sou um misto de razão e emoção.

Sou como o vento.


Às vezes calmo,

Às vezes agitado,

Às vezes quente,

Às vezes ausente.

Sou o vento que sopra

Sou a vida que acompanha esse movimento.

Sou menina, sou mulher.

Sou professora, às vezes educadora, às vezes pedagoga.

Sou bastarda.

Sou filha, da mãe.

Às vezes sou filha do pai...mas não aprendi a ser irmã.

Sou a sobrinha, sou a prima, sou a tia...

Sou namorada, amiga...

Sou cristã...

Sou amiga, chata, sincera, amável, quase sempre presente.

Sou verdadeira, sempre dizendo o que sinto e penso.

Sou a professora, alegre exigente, criativa.

Sou pedagoga aplicada sempre querendo aprender mais.

Sou educadora amável e ouvinte.

Sou filha que ama.

Sou professora que caminha.

Sou namorada que ouve.

Sou um desequilíbrio que busca equilibrar-se nas ventanias que vivo.

Grande parte de mim é resultado das funções que tenho, mas na minha essência ...

Sou batalha, gosto de viver e luto pra fazer da vida razão de alegrias...

Brevemente serei mais coisas, e nessa brevidade busco beleza bondade benevolência benignidade...

21 de ago. de 2008

Eu te amo -Tom Jobim - Chico Buarque/1980

Ah, se já perdemos a noção da hora

Se juntos já jogamos tudo fora

Me conta agora como hei de partir

Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios

Rompi com o mundo, queimei meus navios

Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós, nas travessuras das noites eternas

Já confundimos tanto as nossas pernas

Diz com que pernas eu devo seguir

....

Essa música tem em si algo que me encanta, ela me leva a perceber que quando amamos não podemos viver sem O amor e eu não posso viver sem o meu amor, por isso rompi com o mundo, com toda A dor que ME prende a ele, e agora vivo o que tenho que viver, a liberdade aprisionante do que é amar, e o amor, é minha vida mais plena, amo e simplesmente amo.

19 de jun. de 2008

Tempo de ver...

Sem tempo para ver a vida florescer
Sem tempo para ver o sol se por
Sem tempo para ver a lua no dia
Sem tempo para ver o movimento dos carros
Sem tempo para ver o sorriso doce da criança
Sem tempo para ver que o sorriso mudou
Sem tempo para ver que surgiram novas expressões
Sem tempo para ver que o tempo passar
Sem tempo para ver e viver o tempo passar
Sem tempo para ver que nesse tempo ainda a tempo de ver.

Priscila Muniz Medeiros

11 de jun. de 2008

Leia isso e pense!

" A felicidade virá para mim inesperadamente, como subproduto, como surpresa adicional, depois de eu ter investido a vida em alguma coisa de valor. E, provavelmente, esse investimento terá incluído a dor. Sem ela, é difícil imaginar o prazer"

Philip Yancey